No dia 11 de abril de 2026, o projeto Jardins de Águas Lindas: Resiliência e Natureza nas Periferias realizou sua 1ª Oficina de Pactuação Comunitária, marcando um passo decisivo na construção coletiva das ações que serão implementadas no Parque da Barragem, em Águas Lindas de Goiás.
Realizado no Instituto Federal de Goiás (IFG) – campus Águas Lindas, o encontro reuniu moradores e moradoras, lideranças locais e parceiros para um momento de escuta, diálogo e definição conjunta de prioridades. Não apenas uma etapa metodológica, a oficina representou a consolidação de um princípio central do projeto: as soluções só fazem sentido quando são construídas com o território.
Do diagnóstico à construção coletiva
A oficina partiu do reconhecimento dos desafios que atravessam o cotidiano da comunidade. Problemas como alagamentos recorrentes, processos de erosão, excesso de calor urbano e limitações de infraestrutura foram trazidos para o centro da conversa — não como obstáculos isolados, mas como parte de uma realidade complexa que exige respostas integradas.
Ao mesmo tempo, o encontro evidenciou a potência do território. A presença ativa dos participantes, suas leituras sobre o bairro e o compartilhamento de experiências reforçaram que, junto aos desafios, existe também um acúmulo de saberes, práticas e vínculos comunitários fundamentais para qualquer processo de transformação.
Foi nesse equilíbrio entre diagnóstico e potência que a oficina avançou para a definição das ações prioritárias do projeto.
Soluções baseadas na natureza e protagonismo comunitário
O projeto Jardins de Águas Lindas propõe a implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) como estratégia para enfrentar problemas urbanos e climáticos. Durante a oficina, essas soluções foram apresentadas e debatidas com a comunidade, permitindo que os participantes compreendessem como elementos como vegetação, solo e água podem atuar de forma integrada na melhoria das condições do território.
Entre as possibilidades discutidas estão a implantação de jardins de chuva, áreas de retenção de água e o plantio estratégico de árvores — intervenções que contribuem para reduzir alagamentos, conter processos erosivos, melhorar o microclima e qualificar os espaços públicos.
Além de apresentar soluções técnicas, a oficina abriu espaço para que essas propostas fossem apropriadas, questionadas e adaptadas a partir da realidade local, fortalecendo o protagonismo comunitário no desenho do projeto.
Pactuar para transformar
A pactuação comunitária é um momento-chave do processo. É quando diferentes perspectivas se encontram para construir consensos possíveis e definir caminhos concretos de ação. Ao longo da atividade, os participantes contribuíram para identificar áreas prioritárias de intervenção, além de apontar necessidades e oportunidades que devem orientar as próximas etapas do projeto.
Esse processo não apenas qualifica as decisões, mas também fortalece o vínculo entre comunidade e iniciativa, criando as bases para uma implementação mais efetiva, duradoura e enraizada no território.
Um processo que continua
A 1ª Oficina de Pactuação Comunitária é parte de um percurso mais amplo, que seguirá com novas atividades participativas, como caminhadas de mapeamento, oficinas de co-criação e mutirões de implementação.
Com duração prevista até maio de 2027, o projeto busca transformar o Parque da Barragem em um referência de adaptação climática, resiliência urbana e regeneração socioambiental em territórios periféricos, sempre a partir da construção coletiva.
A iniciativa é do CIRAT e conta com apoio de organizações parceiras que atuam na promoção de cidades mais justas, verdes e resilientes.
Mais do que intervenções físicas, o que está em curso em Águas Lindas é a construção de um processo: um caminho onde natureza e comunidade caminham juntas para reinventar o território.













