Na manhã desta quarta-feira, 1 de Abril, o CIRAT esteve presente em Brasília, acompanhando o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) — iniciativa estratégica do Governo Federal que posiciona a biodiversidade como um dos principais ativos para o futuro do país.
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, além de representantes do governo, da academia, do setor privado e da sociedade civil.
Um novo eixo para o desenvolvimento nacional
O PNDBio marca uma inflexão na estratégia de desenvolvimento brasileiro ao integrar, de forma inédita, políticas de produção, inovação, financiamento e conservação ambiental. A proposta busca estruturar cadeias produtivas baseadas no uso sustentável dos recursos biológicos, promovendo geração de renda, inclusão produtiva e valorização da sociobiodiversidade.
Elaborado ao longo de dois anos com participação de 16 ministérios e dezenas de organizações, o plano estabelece 21 metas e 185 ações estratégicas, com foco em ampliar a competitividade da bioeconomia brasileira e impulsionar novos mercados sustentáveis.
Organizado em eixos que incluem bioindústria, biomassa, conservação de ecossistemas e sociobioeconomia, o plano também enfatiza a integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais, reconhecendo o papel central de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Bioeconomia, território e justiça climática
Mais do que uma agenda econômica, a bioeconomia se afirma como uma estratégia estruturante para enfrentar as crises climática e ecológica, ao mesmo tempo em que promove justiça social e desenvolvimento territorial.
Ao propor a descarbonização da economia, o fortalecimento de cadeias produtivas regenerativas e a valorização dos territórios, o PNDBio abre caminho para um modelo que alia conservação ambiental e geração de oportunidades — especialmente em regiões como a Amazônia, onde a sociobioeconomia tem potencial transformador.
Nesse contexto, o plano também prevê investimentos relevantes, incluindo recursos destinados ao fortalecimento da inovação e das cadeias da sociobiodiversidade, ampliando as condições para uma transição ecológica justa no país.
O papel do CIRAT
A participação do CIRAT neste momento reforça seu compromisso com a construção de soluções integradas que conectem água, território, clima e desenvolvimento, garantindo Segurança Hídrica, Alimentar e Climática.
A bioeconomia, entendida como um campo de convergência entre ciência, políticas públicas e saberes locais, dialoga diretamente com a atuação transdisciplinar do CIRAT na regeneração de paisagens e na promoção de sistemas produtivos sustentáveis, além do compartilhamento de técnicas e saberes entre os países do Sul Global.
Estar presente nesse lançamento é também afirmar a importância de uma governança que coloque a vida no centro das decisões — reconhecendo que não há futuro possível sem a preservação dos ciclos ecológicos e o fortalecimento das comunidades que historicamente cuidam dos territórios.
Um horizonte estratégico para o Brasil
Com cerca de 20% da biodiversidade global, o Brasil reúne condições únicas para liderar a agenda da bioeconomia no cenário internacional. O PNDBio, ao estruturar essa visão em políticas concretas, representa um passo decisivo para reposicionar o país como protagonista global na construção de alternativas frente à crise climática.
O CIRAT seguirá acompanhando e contribuindo para o avanço dessa agenda, fortalecendo redes, promovendo diálogos e apoiando iniciativas que impulsionem um futuro mais justo, regenerativo e sustentável.


