No último dia 25 de abril, a Feira Ponta Norte, em Brasília, se transformou em um verdadeiro território de celebração, troca e resistência durante o 1º Encontro de Guardiões de Sementes Crioulas do DF e Entorno.
Ao longo da manhã, das 8h às 14h, agricultores, comunidades tradicionais, coletivos e apoiadores da agroecologia se reuniram para fortalecer redes, compartilhar saberes e reafirmar a importância das sementes crioulas como base da soberania alimentar e da conservação da biodiversidade.
Mais do que um evento, o encontro foi um espaço vivo de convivência e construção coletiva. A feira ganhou novos significados: virou terreiro, ponto de encontro entre gerações e palco de expressões culturais que celebram o Cerrado e seus povos.
A programação contou com troca de sementes crioulas, comercialização de produtos da sociobiodiversidade — como remédios do Cerrado, farinhas, óleos, doces e licores — e uma intensa programação cultural, com música ao vivo e apresentações artísticas que embalaram o dia.
Um dos grandes destaques foi a presença das mulheres Kalunga, que trouxeram para o centro da cidade a força e a riqueza de seus territórios. Fiota, Teodora, Percília, Dirani, Vera e Laura compartilharam produtos e conhecimentos diretamente da Terra Kalunga, reafirmando o papel fundamental das comunidades tradicionais na preservação dos biomas brasileiros e na manutenção de práticas ancestrais de cuidado com a terra.
O encontro também foi marcado pela participação de crianças e jovens, incluindo a Escola Classe Beija-Flor que esteve presente através do Movimento Txai ao longo da programação, reforçando a importância da educação e da transmissão de saberes para as novas gerações.
A atmosfera foi de celebração e pertencimento. Entre abraços, trocas e conversas, cada semente compartilhada carregava histórias, afetos e a esperança de futuros mais diversos e resilientes. Como resumiram participantes ao longo do dia, foi a soma de cada gesto coletivo que transformou o espaço em um verdadeiro encontro de guardiões da vida.
O CIRAT esteve presente desde a concepção da iniciativa, apoiando a construção do encontro e reforçando seu compromisso com a regeneração socioambiental, o fortalecimento de territórios e a valorização de práticas agroecológicas.
Iniciativas como essa demonstram que a construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis passa pelo fortalecimento de redes locais, pelo reconhecimento dos saberes tradicionais e pela valorização de quem, diariamente, cultiva diversidade.
Em tempos de crise climática e avanço de modelos agrícolas homogêneos, encontros como este reafirmam um caminho possível: aquele que nasce da terra, das mãos e da coletividade.






















