IPSA realiza encontro de planejamento estratégico em Brasília para fortalecer incidência internacional sobre agrotóxicos

Nos dias 12 e 13 de maio, representantes de organizações brasileiras e internacionais participaram, em Brasília, da Oficina de Planejamento Estratégico Situacional (PES) da IPSA — International Pesticide Standard Alliance. O encontro reuniu instituições parceiras, especialistas e atores da sociedade civil comprometidos com o fortalecimento da governança internacional sobre agrotóxicos e com o avanço da agenda pelo banimento dos pesticidas altamente perigosos (HHPs).

A facilitação do processo foi conduzida por Luis Meneses, a partir da metodologia do Planejamento Estratégico Situacional (PES), desenvolvida por Carlos Matus. A proposta metodológica busca apoiar processos de decisão em contextos complexos, marcados por disputas políticas, múltiplos atores e necessidade constante de adaptação estratégica.

Participaram do encontro organizações parceiras da IPSA, entre elas a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o Ministério Público do Trabalho, a Associação Terra Azul, além de representantes de outras instituições nacionais e internacionais que atuam na defesa da saúde humana, da justiça ambiental e da regulação internacional dos agrotóxicos.

A oficina também contou com a participação online de Larissa Bombardi, Coordenadora Científica da IPSA baseada em Bruxelas, e Sandra Kishi, do Ministério Público Federal, que contribuíram para os debates estratégicos sobre os desafios e perspectivas da atuação internacional da aliança.

A oficina teve como objetivo construir uma leitura compartilhada sobre o momento atual da IPSA, identificar gargalos e oportunidades estratégicas e definir prioridades para o próximo ciclo de atuação da aliança. Entre os principais temas debatidos estiveram a governança da rede, o fortalecimento da articulação internacional, a definição de arenas prioritárias de incidência política e a construção de operações estratégicas para os próximos anos.

A programação foi estruturada em dois dias de trabalho intensivo, organizados em blocos temáticos voltados à análise da situação atual da rede, mapeamento de atores estratégicos, identificação de nós críticos, priorização de frentes de atuação e elaboração de insumos para um futuro plano tático-operacional.

Como preparação para a oficina, a IPSA também promoveu uma escuta ampliada junto a integrantes e aliados da rede em diferentes países. As contribuições reuniram reflexões sobre os avanços da aliança, desafios atuais, oportunidades políticas e caminhos estratégicos para fortalecer a incidência internacional em defesa de padrões mais justos e protetivos no campo dos agrotóxicos.

Durante o encontro, participantes destacaram a importância do planejamento estratégico diante do atual cenário global de contaminação e avanço da indústria dos agrotóxicos.

“Essa oficina de PES que a IPSA promoveu tem uma importância enorme inclusive na contextualização do processo que todos nós estamos vivendo, que é de uma intoxicação geral no planeta. Esse planejamento, que é uma consolidação da luta contra os agrotóxicos não só no Brasil como no mundo, vem trazer mais subsídios para a gente entender como é que funciona, para conhecer todos os produtos que estão sendo lançados, conhecer as políticas que estão sendo colocadas e como traçar estratégias para navegar de forma mais assertiva, mais completa e mais objetiva nesse universo que é muito complexo e cheio de nuances, cheio de detalhes importantes”, afirmou Guilherme Jaganu, da Alternativa Terrazul.

Jackeline Pivato, representante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida também ressaltou a importância da construção coletiva e do fortalecimento das alianças internacionais.

“A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos ficou bem feliz com essa aproximação orgânica, que vem muito a casar no âmbito estratégico de atuação de uma pauta que tem se colocado cada vez mais clara para o campo de articulação: sozinhos a gente não dá conta de avançar”, destacou Jackeline.

Para Larissa Bombardi, o encontro também foi fundamental para fortalecer a articulação internacional da aliança e ampliar horizontes estratégicos para os próximos anos.

“Eu participei online, aqui de Bruxelas, e tem alguns elementos muito fundamentais que eu quero compartilhar. Primeiro, são os parceiros que participaram conosco. No Brasil, por exemplo, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e o Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, que são as principais vozes de articulação em torno desse tema, e também importantes parceiros internacionais que trouxeram para a gente a visão estratégica deles para os próximos anos, como eles estão vendo esse cenário. Parceiros como, por exemplo, a PAN (Pesticide Action Network), a CEO (Corporate Europe Observatory) e a Böll Foundation”, afirmou.

Segundo Larissa, os exercícios realizados durante os dois dias permitiram identificar novos caminhos de cooperação e incidência internacional.

“Esses parceiros, junto com os nossos, nesses exercícios de dois dias que fizemos, nos ajudaram a traçar o cenário dos próximos anos e quais são as possibilidades de caminho. Foi uma experiência muito rica porque algumas das possibilidades que surgiram foram coisas que ainda não tinham sido pensadas ou desenhadas, como, por exemplo, uma colaboração mais aprofundada com países do Sul Global.”

Ela também destacou a importância simbólica e política do protagonismo do Sul Global na construção da aliança.

“Eu penso que, em uma utopia, como diria Milton Santos, a mudança vem pelo Sul. E acho que não é por acaso que essa rede, que essa aliança, a IPSA, se inicia no Sul Global. A gente sai muito fortalecido e cheio de energia para os próximos passos, para saber como navegar nesses mares.”

A IPSA articula atores de diversos continentes — incluindo sociedade civil, academia e representantes do sistema de justiça — em torno da construção de uma agenda regulatória internacional capaz de enfrentar os impactos dos pesticidas altamente perigosos sobre a saúde humana e o meio ambiente. Entre as prioridades debatidas para os próximos ciclos estão a incidência junto ao sistema ONU, a participação em conferências internacionais, o fortalecimento do campo jurídico e a ampliação das alianças globais.

O encontro marcou um importante momento de recalibração estratégica da rede, buscando alinhar sua atuação às atuais correlações de força e às oportunidades políticas do cenário internacional. A expectativa é que os resultados da oficina subsidiem a construção de uma agenda mais coordenada, policêntrica e efetiva para os próximos anos de atuação da IPSA.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🌐