Entrevista de Ernst Gotsch para o CIRAT

 “A minha mensagem é que a gente tem que descer do pedestal, sermos mais humildes, entender que somos parte de um sistema inteligente” – Ernst Gotsch

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O nosso convidado Ernst Gotsch nos concedeu uma entrevista durante o curso de agrofloresta mecanizada, organizado pelo CIRAT, no âmbito do projeto CITinova/Sema-DF, no dia 5 de dezembro. Confira a entrevista abaixo.


Na sua opinião, o senhor acredita que a agrofloresta mecanizada seja uma técnica e um projeto viável que consiga encontrar um espaço relevante no meio da nossa agricultura de monocultura, muitas vezes responsável pelo desmatamento e grande consumo hídrico?

Um aspecto bem peculiar da nossa civilização é a tecnologia. Eu pessoalmente acho que a tecnologia usada em prol da natureza pode ser utilizada de forma maravilhosa. A agrofloresta mecanizada usa uma tecnologia inteligente, são maquinas leves, que fazem serviços finos, mas também fazem o serviço pesado e repetitivo. A gente tem que agir com a vida da mesma forma. Hoje usamos tecnologia de guerra, mas podemos usar uma tecnologia de paz, em prol da natureza. Essa tecnologia da agricultura mecanizada pode ser utilizada tanto pelo pequeno agricultor, mas também pelo grande agricultor. Inclusive, eu estou quase convicto de que a revolução vem de cima para baixo e não de baixo para cima. Há uma demanda crescente vindo de cima, uma mudança de mentalidade, uma percepção do planeta como macroorganismo. As pessoas estão refletindo sua interação com o todo, “como a minha ação pode trazer resultados benéficos para toda a cadeia na qual estou inserido, como minha interação pode ser positiva?”. Se não for assim, caminhamos para o suicídio. Então a partir do momento que você começa a entrar nessa visão, você começa a olhar o mundo completamente diferente. A parte filosófica é tão forte, ou talvez mais forte, que a parte técnica.


Qual a importância para o senhor em desenvolver trabalhos em parceria com outras instituições, como esta com o CIRAT dentro do projeto CITinova?

Sozinho eu posso fazer pouca coisa, mas em conjunto podemos fazer coisas maiores. Não importa se é um pequeno, um grande, uma associação, eles trazem outros elementos, novas perspectivas, e em conjunto nos vamos mais longe. Isso é muito importante para mim. Eles testam aquilo que sugiro e me dão um feedback, e assim vamos aprimorando. Então é indispensável, tem que ser junto.


Vivemos em um contexto de crise ambiental, climática e agora sanitária com a pandemia. Qual a mensagem que a agricultura sintrópica e o senhor teriam para nos oferecer nesse contexto?

A agricultura sintrópica é uma agricultura de processos, e nos dá saldos positivos, em qualidade e quantidade de vida, tanto para o subsistema quanto para o macrossistema, do planeta como um todo. Agora a minha mensagem é que a gente tem que descer do pedestal, sermos mais humildes, entender que somos parte de um sistema inteligente. Essa é a mensagem principal. Se continuarmos nos comportando como antes, isto é suicídio. Somos parte de um sistema inteligente, e não os inteligentes. Essa mentalidade unilateral, antropocêntrica, é uma mentalidade que se afastou de tudo.

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